O que é Semiótica?
- 23 de fev. de 2024
- 5 min de leitura
Atualizado: 25 de mar. de 2025

É sempre importante frisar que nenhuma prática foge a uma base teórica. Ou seja, quanto mais você conseguir dominar a teoria, melhor serão suas experiências práticas. E isso vale para toda e qualquer área de conhecimento.
Mas vamos ao que interessa?
O significado da semiótica pode ser definido como a ciência que estuda os signos e os sistemas de significação. E se partirmos da compreensão etimológica, a semiótica é uma palavra de origem grega derivada de semeion (signo). E a semeiotiké seria, então, definida como "a arte dos sinais".
Esse estudo tem como objetivo desvendar o campo dos significados das coisas. Dessa forma, a semiótica busca tratar sobre o universo dos signos que nos rodeiam e atribuímos significados a eles na nossa incessante busca sobre como interpretar a vida.
Este é um campo de estudos que faz parte da filosofia, embora tenha uma origem científica datada no século XX. E um dos mais importantes autores da semiótica é Charles Sanders Peirce (1839-1914), um norteamericano, graduado em Química, pela Harvard.
Sua teoria sobre o estudo da semiótica foi classificada como "gramática especulativa", pois partia de uma compreensão da tríade: Seigno (ou representante), Objeto e Interpretante.
Antes de prosseguirmos, vale ressaltar que a semiótica é uma ciência que tem o objetivo de compreender como o ser humano consegue interpretar as coisas que estão ao seu redor. E para isso, Peirce, nos possibilitou tais entendimentos através de sua teoria, da seguinte forma:
Signo

O signo pode ser definido como tudo aquilo que é percebido aos nossos 5 sentidos, que inclui a visão, a audição, o olfato, o paladar e o tato. E o signo nos faz lembrar de algo ou de alguma coisa. Pois quando vemos uma simples maçã, por exemplo, isso nos remete a diversas lembranças de acordo com a visão de mundo de cada um de nós, seja a Apple, Adão e Eva, maçã do amor ou aquilo que vier a sua mente neste exato momento.
Objeto
O objetivo, conhecido como "objeto dinâmico", é usado para que o signo estabeleça uma relação com o mesmo e, à partir desta relação estabelecida, se faz gerar o resultado interpretativo.
Interpretante
O interpretante, como acabamos de entender, é um subproduto do objeto e, consequentemente, do signo.
Vale lembrar que a interpretação ocorrerá de acordo com a vivência, experiências e visão de mundo de cada pessoa.
As teorias de Peirce são repletas de tríades. Então, prepare-se que lá vem mais uma aí pela frente. Segundo Peirce, as pessoas compreendem o contexto, por meio da seguinte tríade: Primeiridade, Fecundidade e Terceiridade, que são consideradas as categorias do signo.
Primeiridade
A primeiridade é a nossa percepção, em primeiro momento, que passa pelo campo da interpretação sensível. É quando você dá aquela medida de cima pra baixo numa pessoa, coisa ou objeto, e sua mente faz uma interpretação "relâmpago" que pode ser positiva ou negativa.
Secundidade
A secundidade, por sua vez, acontece num segundo momento, acontece quando percebemos a materialidade do contexto observado, numa compreensão um tanto quanto mais profunda.
Terceiridade
Já a terceiridade, é o terceiro momento, onde a nossa percepção nos convida à acessar o nosso campo "inteligível", que nada mais é quando conseguimos um significado simbólico ao contexto observado.
Essa tríade provoca o nosso intelecto a elaborar formas que unam as duas primeiras partes à terceira, permitindo, assim, relacionar o signo ao contexto que ele realmente representa.
Pense por exemplo, numa exposição de quadros, onde as pessoas levam tempo para analisarem e se conectarem com as mensagens das obras, sejam elas explícitas ou abstratas.
Mas como já sabermos, Perice não pára por aqui. E nem suas tríades.
Isso mesmo. Ele diz que o signo pode ser um ícone, um índice ou um símbolo.
Bora lá?
Ícone

O ícone é um signo que, por semelhança, nos faz lembrar o objeto como, por exemplo, um signo icônico que mantém a semelhança com o objeto real que ele representa.
Índice
Um índice é um signo que tem uma relação direta com o objeto, sendo a exata relação daquilo que pode ser considerado o indício de algo como, por exemplo, um céu carregado que pode representar a aproximação de uma tempestade.
Símbolo

O símbolo é uma representação arbitrária do signo, convencionada por uma espécie de acordo coletivo, ensinada e reproduzida dentro de um determinado contexto cultural como, por exemplo, a palavra.
Ícone | Signo | Relação de semelhança | Referente |
Índice | Signo | Relação direta | Referente |
Símbolo | Signo | Relação convencional | Referente |
A nossa próxima tríade de Peirce, nos apresenta as características do interpretante, que vale frisar que diz respeito às possibilidades de interpretações do signo, sem representar o sujeito que o interpreta. Ou seja, interpretante é diferente de intérprete, ok?
Rema
Rema é um termo que pode ser compreendido como qualquer espécie de objeto ou como qualquer possibilidade que um signo possa ter.
Dicente
O dicente é o signo real, considerado um enunciado.
Argumento
O argumento é o juízo, a justificativa e a conclusão.

Veja o exemplo ao lado, da foto com a frase: Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa.
Rema | Cidade (qualquer cidade) |
Dicente | A cidade do Rio de Janeiro (especificamente) |
Argumento | "Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa" |
Neste momento da leitura deste posta você já esteja se perguntando: "eita, como saber o que é um signo?".
Talvez você nem acredite, mas Peirce criou mais uma tríade para nos apresentar as qualidades formais de um signo.
Quali-signo

Quali-signo diz respeito a qualidade do signo. Ou seja, as características que geram identidade ao signo, que são menos particulares como, por exemplo, linhas, cores, formas, texturas etc. A cor azul pode ser considerada um quali-signo, afinal, o azul é a qualidade de uma cor.
O azul também pode ser identificado na categoria de primeiridade, pois podemos olhar o azul e pensar no mar ou no céu, mesmo que a cor azul não chegue a ser nem o mar ou o céu. O quali-signo também é identificado como um pré-signo, pois quando ele atinge a qualidade de "ser", torna-se, então, um sin-signo.
Sin-signo
Sin-signo seria todo e qualquer signo em sua característica material e individual. "Sin" é um prefixo que indica aquilo que "é uma única vez". Ou seja, trata-se da característica, que dá a unidade e a identidade do signo, mas para isso, é preciso relacioná-lo ao ambiente que se representa. Então, o sin-signo envolve uma série de quali-signos e, quando se torna uma regra ou convenção, passa a ser um legi-signo.
Legi-sign

O legi-signo é composto por aquilo que é considerado regra, lei ou convenção estabelecida. Ele atende às normas existentes. Não há como existir um legi-signo sem um sin-signo, o que quer dizer que o "vermelho" existe como sin-signo antes de ser um alerta de "pare" no semáforo.
Categoria do Signo | Signo em si | Objeto | Interpretante |
Primeiridade | Quali-signo | Ícone | Rema |
Secundidade | Sin-signo | Índice | Dicente |
Terceiridade | Legi-signo | Símbolo | Argumento |
A semiótica é complexa por conta da complexidade dos nossos sistemas de linguagem
Mas ainda temos a última tríade de Peirce, onde ele trata dos signos icônicos.
Aguenta mais um pouquinho que vai valer a pena. Estamos quase lá...
Imagem
A representação na categoria imagem se mantém na leitura baseada na semelhança a partir de uma aparência, porque uma foto, um desenho ou pintura nos mostram qualidades formais.
Diagrama
Já o diagrama é representado por similaridade em relação ao signo e objeto, utilizando uma analogia de relação interna ao objeto como, por exemplo, um organograma, o projeto de um motor.
Metáfora
E a metáfora, por sua vez, nos possibilita fazer a leitura entre o caráter representativo do signo e do objeto, em uma relação de analogia.
Para encerrarmos com chave de ouro, compartilho aqui as 10 Tricotomias de Peirce, que são:
10 Tricotomias de Peirce
Relação de Reprensentámen | Relação de Objeto | Relação de Interpretante |
Possibilidade | Possibilidade | Possibilidade |
Existência | Possibilidade | Possibilidade |
Existência | Existência | Possibilidade |
Lei | Existência | Existência |
Lei | Possibilidade | Possibilidade |
Lei | Existência | Possibilidade |
Lei | Existência | Existência |
Lei | Lei | Possibilidade |
Lei | Lei | Existência |
Lei | Lei | Existência |
Se você chegou até aqui, pa-ra-béns!
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