Quais são os parâmetros da linguagem audiovisual?
- 9 de fev. de 2017
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Atualizado: 22 de abr. de 2025
Como todo processo que envolva criatividade, o audiovisual não nasceu com todas as suas regras bem delineadas e estabelecidas, foi necessário contar com a evolução tecnológica, social e cultural para chegarmos aos parâmetros que conhecemos hoje.

Ao longo do tempo, o espectador aprendeu não apenas a identificar os elementos da linguagem dentro do audiovisual, mas também a como “se comportar” diante dele. Essa forma de comunicação entre o mundo real (do espectador) e o mundo dramático (da narrativa audiovisual) usa a câmera como seu elemento principal.
A câmera seleciona o que mostrar e direciona o olhar do espectador para o recorte da realidade que o autor deseja apresentar. Historicamente falando, toda a base da gramática da adaptação que existe na linguagem audiovisual nasceu junto com os primórdios do cinema e se moldou junto com seu desenvolvimento dando origem à chamada “Era clássica do cinema. Essa época de produção recebeu esse nome não apenas porque os filmes produzidos nessa era foram classificados como clássicos, mas também porque a linguagem audiovisual desses filmes educou os espectadores a ter uma resposta emotiva do produto e a esperar determinadas posturas e histórias.
A Era de Ouro de Hollywood foi marcada pela utilização dos gêneros cinematográficos para o fortalecimento da semântica visual (o estudo dos significados) e a linguagem audiovisual. O uso de determinados parâmetros de gravação promovia não só o reconhecimento do estilo, mas os detalhes também compunham a estrutura narrativa. Os gêneros eram importantes para representar os aspectos políticos dos EUA na época, aspectos que perduram até os dias de hoje, com algumas adaptações.
Como um bom exemplo dessa linguagem, podemos destacar o filme hollywoodiano “Casablanca” do diretor americano Michael Curtiz , lançado no ano de 1942. O filme conta a história de um casal que se reencontra na cidade de Casablanca no Marrocos, durante a Segunda Guerra Mundial. Apesar de percebemos o quanto a mocinha, Ilsa Laszlo (vivida pela atriz Ingrid Bergman) e o mocinho, Rick Blaine (vivido pelo ator Humphrey Bogart) ainda têm sentimentos um pelo outro, a narrativa fica mais complexa quando é revelado que Ilsa agora é casada e seu marido está fugindo dos nazistas.
Apesar de esse filme ter passado por uma série de problemas durante sua produção (inclusive a mudança de gênero de um filme Noir para um melodrama), ele é considerado um dos grandes filmes hollywoodianos da época, ao lado de outros clássicos como “E o vento levou” (1956), “Lawrence das Arábias” (1962), entre outros mais.
Deixando o conteúdo do filme e os gêneros de lado, todas as produções da época dividem uma mesma associação feita pelas imagens. Assim como a continuidade narrativa acontecia junto à história, sugerindo as situações, o que os personagens estão pensando e sentindo, além de suas motivações psicológicas para agir daquela forma. Nesse nível mais profundo de construção, é possível perceber, inclusive, o ponto de vista do diretor/autor, ele usa a tela como um espaço crítico para apresentar sua visão de mundo.
Os recursos de linguagem devem promover três aspectos fundamentais para o entendimento da história e do discurso contido na peça audiovisual, que são:
Intensidade
Para que o entendimento da história e do discurso aconteçam, o é preciso garantir o envolvimento do espectador na narrativa, o que acontece por meio da intensidade.
se sentir dentro da história, como se cada contexto e ação fizessem parte da sua vida.
E é por isso que o espectador não só observa os fatos, mas acompanha o seu desenrolar como uma resposta emocional ao ritmo apresentado em cada narrativa.
Intimidade
O segundo aspecto se trata de um mecanismo que faz com que o espectador se identifique com a história que está sendo contada, que é a intimidade.
Chamamos de mecanismo todos os elementos possíveis, desde a situação que o personagem vive dentro do roteiro até mesmo a escolha de cada ator para viver um determinado personagem. E tudo isso também cria uma aproximação simbólica entre o espectador e cada personagem, seja por conta do carisma, identificação, anseios, sonhos e ambições, que fazem com que o espectador exteriorize e transfira seus desejos e expectativas para os acontecimentos que passam na tela.
Quantos filmes, série ou novelas você já torceu pelo mocinho e pela mocinha conseguirem vencer o mal e, acima de tudo, eliminasse ou repudiasse o vilão ou vilã da história?
Pois é. É desse tipo de intimidade e conexão que estamos falando, aqui.
Ubiquidade
O terceiro aspecto, a ubiquidade, também é definida como a representação do tempo dramático.
No audiovisual, o tempo construído na tela, faz parte da diegese cinematográfica e compreende muito mais que uma real ação, o que possibilita a recriação ou reordenação o tempo através da emulação de novas ideias, situações e significados. E é essa reorientação do tempo e aproximação dos espaços através do ritmo, que contribuem para a intensidade e o envolvimento do espectador com a trama apresentada.
A ubiquidade existe no momento em que se pressupõe um deslocamento, corte ou fragmentação de uma ação, de forma a demonstrar ao espectador todos os caminhos e situações que o personagem percorreu, sem ter que mostrar a ação toda, apenas apresentando indicações para as ações.
A montagem é o elemento de linguagem que realiza a ubiquidade, todos os planos gravados durante o processo de produção de uma peça audiovisual ganham algum significado comum na montagem. A montagem só́ pode ocorrer a partir da escolha que o diretor faz daquilo que é interessante para compreensão da história. Esse processo de escolha chamamos de decupagem, que implica em entender a criação das elipses.





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